Rota de Manhouce: Uma experiência entre as Serras e as Piscinas Naturais em S. Pedro do Sul

12/09/2020 19:00

Montanha, Serra, Piscinas Naturais e Património são os ingredientes que compõem a Rota de Manhouce em S. Pedro do Sul. Para além da valorização da aldeia serrana de Manhouce, este PR1 promove a Serra da Freita e da Arada.

Conheça este percurso, ao pormenor, com a entrevista realizada ao gabinete de turismo da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul.

Em que ano e porque foi criada a PR1 Rota de Manhouce?

A rota de Manhouce foi criada pelo Município de S. Pedro do Sul no ano de 2004. Neste momento, esta é também, uma ótima forma de promoção das potencialidades turísticas do concelho no âmbito do pedestrianismo.

Fale-nos um pouco desta aldeia por onde passa o percurso?

Manhouce é uma aldeia serrana situada em pleno maciço da Gralheira e encontra-se no extremo ocidental do concelho de S. Pedro do Sul. Em tempos remotos era atravessada pela grande estrada romana que ligava Viseu ao Porto, onde ainda hoje, podemos podemos observar alguns troços e pontes. Situada mais ou menos a meio do caminho, a aldeia era um local de passagem obrigatório. 

Quando falamos de Manhouce, o seu topónimo parece advir do termo “manho”, uma terra inculta ou terreno baldio ou até mesmo de uma variação de amanhouce, que significa terra amanhada.

O canto e a dança assumem aqui uma velha tradição de espontaneidade. O canto que é ainda hoje, património incalculado, defendido pelas personagens mais marcantes de Manhouce, a Isabel Silvestre e o Grupo de Cantares de Manhouce.

Que pontos de interesse se podem destacar? 

O ponto de partida deste percurso é o largo junto à escola primária de Manhouce. Daqui segue-se em direção ao lugar do Lageal até Malfeitoso.

Neste troço, atravessamos a Ribeira de Manhouce através de um passadiço em pedra. Chegamos ao Salgueiro, por um caminho antigo, que percorre uma zona planáltica revestida de campos agrícolas em socalco, com gado bovino a pastar.

Bondança é a povoação que que nos aparece a seguir, com a sua reserva de azevinhos, partindo depois, para a aldeia de Gestosinho, a caminho da Alagoa, onde existe um parque de merendas inserido num povoamento de bétulas e castanheiros.

Já na descida passa-se pela centenária Quinta das Uchas, e depois pela Ribeira da Vessa, onde podemos observar uma cascata e moinhos de água na sua margem esquerda. Atravessando a Ribeira da Vessa por um passadiço em madeira, começa-se a subida em direção ao ponto de partida. Também cruzamos a Ribeira de Manhouce, onde podemos observar à nossa esquerda uma ponte romana e moinhos de água à direita.

Que experiências terão os caminhantes ao visitar este percurso? 

Para usufruir dos encantos de Manhouce, aconselha-se o percurso pela montanha onde o solo surge mesclado de floresta, rocha, cascatas, poços de água de um verde transparente e moinhos que “decoram” as margens das ribeiras.

Os olhares mais atentos poderão observar durante o percurso, o javali, o coelho bravo, a águia de asa redonda, a poupa, o gaio comum, entre outros. Relativamente à flora, para além do azevinho, as bétulas, carvalhos, pinheiro bravo, podemos contemplar a vegetação característica da montanha como, a urze, carqueja, giesta, tojo, bem como as espécies ligadas à agricultura, a oliveira e a videira. Este percurso encontra-se inserido numa área integrada na “Rede Natura 2000” – serra da Freita e Arada.

Podemos também ver a ponte de Manhouce construída pelos romanos entre o séc. II a.C. e o séc. I d.C., que integra a Via Cale, a Estrada Imperial que ligava Emérita Augusta, em Mérida, a Bracara Braga, com passagem por Viseu. Uma via que adiante na história ficaria aqui conhecida como estrada dos almocreves, os itinerantes comerciantes que da Idade Média até ao séc. XX ligaram gentes, culturas e territórios com as suas histórias e mercadorias.

Pode usufruir ainda dos poços de Manhouce localizados no troço mais alto do rio Teixeira, onde abundam as quedas de água e as piscinas naturais. O poço da Silha na ribeira da Vessa e o poço da Gola na ribeira de Manhouce, são alguns dos mais conhecidos e frequentados e todos eles foram esculpidos na rocha dura pela força das águas.

Para quem é direcionada a rota?

A rota é direcionada para o público em geral, que tenham boa capacidade de locomoção e sejam “amantes” da natureza.

Qual é a melhor altura do ano para fazer este percurso?

O percurso pode ser efetuado em qualquer época do ano, no entanto, os seus utilizadores terão que tomar algumas precauções face às elevadas temperaturas que se podem fazer sentir durante o verão. Durante os períodos de maior precipitação recomenda-se também algum cuidado com as águas escorrênciais, na travessia de troços alagadiços e nas passagens sobre cursos de água.

Algumas descrições do percurso: Dificuldade, duração e distância?

A rota tem nível de dificuldade médio, tem um percurso circular e duração prevista de 4h45m. A distância é de 14,4 km com desnível acumulado de 641 metros.

A rota irá sofrer alguma alteração ou melhoria no futuro?

A rota está a ser intervencionada numa candidatura do Município de S. Pedro do Sul com a Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões. Será colocada uma nova sinalização, um painel informativo, uma mesa interpretativa e brochuras.

Existe algum evento associado a este percurso?

No âmbito da programação da Festa da Vitela de Lafões na localidade de Manhouce, realizada anualmente em Maio, é promovido o Trail e a caminhada de Manhouce.

Quais as informações, os contatos importantes e os acessos rápidos em caso de acidente?

Os contactos mais importantes são SOS 112; Bombeiros Voluntários de Santa Cruz da Trapa 232 798 115; GNR 232 720 060; Centro de Saúde SPS 232 720 180; CM SPS 232 720 140 e Posto de Turismo das Termas de SPS 232 711 320.

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