Quinta da Cruz recebe exposição fotográfica sobre «paisagem irregular e misteriosa» da Beira Alta

22/09/2022 17:43

Tito Mouraz, fotógrafo que tem abordado os temas da paisagem, memória, mito e natureza no seu trabalho, apresenta a série fotográfica ‘Fluvial’, «sobre a paisagem irregular e misteriosa da Beira Alta».

Inaugurada a 08 de outubro, a exposição terá lugar na Quinta da Cruz – Centro de Arte Contemporânea.

«Fluvial é uma meditação em torno das praias e aldeias do interior norte e centro de Portugal. Fotografadas entre 2011 e 2018, estas cenas fluviais transformam a geografia pessoal numa atmosfera de ficção. Dando conta de uma longa relação do autor com as praias e aldeias do norte e centro de Portugal, fazem-no não ao modo de uma investigação topográfica, mas relacionando erosão com visão. Tal como as correntes moldaram os elementos naturais, a passagem do tempo parece ter depurado o seu olhar, libertando-o da ironia, predispondo-o à percepção de formas e analogias, e a uma decência para com os seus iguais. Capturando famílias em momentos informais da sociedade portuguesa, predominantemente emigrantes regressados a casa do norte da Europa para as férias de Verão, corpos, troncos e seixos são aqui assemelhados a pequenas esculturas (antropomórficas, algumas delas); o corpo humano, aqui quase anfíbio, vê-se muitas vezes reduzido à simples forma, à superfície submersa, quer adoptando o leito aquático enquanto instrumento óptico, quer modelado pela luz. Os corpos humanos e não humanos emergem de esquemas de claro-escuro, quer como elementos de uma mise-en-scène ilusória, ou desfamiliarizados, reduzidos à mera forma, como por feitiçaria. Realista ainda que onírico, transmitindo um sentido pagão da natureza, criando o efeito atmosférico de um Domingo infinito, Fluvial lembra um sonho de Verão — uma ode visual ao lazer humano».

«As fotografias de Fluvial forçam-nos a enfrentar o desencaixe entre mundo ‘natural’ e ‘cultura’ que tragicamente habitamos, fazendo-nos espreitar o que algures perdemos. Nesse sentido, estas imagens são um regresso e uma redescoberta. Atingindo-nos sensorialmente, elas acusam uma perda iminente, mas sinalizando a sobrevivência deste mundo minoritário são também um veículo de esperança», refere Celso Martins, crítico de arte.

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