Querido Pai Natal, a minha mãe mentiu-me…

18/12/2021 17:00

Muitas são as personagens fantasiosas que fazem parte da nossa cultura e que trazem alegria às nossas crianças. O Pai Natal é uma delas. Só que, ao contrário de outras personagens, como o coelhinho da Páscoa ou a fada dos dentes, que vivem no imaginário das crianças, o Pai Natal assume-se como uma personagem mais real e enraizada na nossa cultura. De facto, a crença do Pai Natal é um motivo de uma verdadeira ginástica e, por vezes, angústia para os pais, com o receio de que o encanto um dia possa ser estragado. Mas, a verdade é que, mais cedo ou mais tarde, todas as crianças começam a questionar-se sobre a existência do Pai Natal e estas dúvidas são mesmo indicadores de um bom desenvolvimento cognitivo. Acredita-se que, num desenvolvimento humano saudável, a mente está preparada para aceitar todas as verdades, mesmo aquelas que não são consensuais nos diferentes ambientes que fazem parte da vida dos mais novos. Quero com isto dizer que, enquanto muitas vezes os pais se esforçam por manter intacto o mito associado ao velhinho de barbas brancas e roupa vermelha, que traz os presentes da Lapónia num trenó com renas a voar pelo ar, a verdade mais crua e dura poderá surgir quando e de quem menos se espera, da catequista, do professor, do treinador, da prima ou mesmo de um colega na escola – “O Pai Natal não existe! Mentiste-me mãe!”

Quando é então mais propício contar que o Pai Natal não existe? Quando o segredo é revelado, os pais devem ser facilitadores, isto é, devem contar sempre o necessário, em consonância com o que a criança já sabe. A família deve auxiliar as crianças enquanto elas esclarecem e elucidam as dúvidas pelos seus próprios meios, orientando-as na descoberta da verdade por elas próprias, devolvendo as perguntas e possibilitando que expressem as suas explicações. Portanto, os pais como facilitadores na descoberta da verdade, desempenham o papel fundamental de ajudar a criança a transitar da imagem fantasiosa do Pai Natal, para a mensagem que está incutida nessa figura com os princípios do altruísmo, da generosidade e bondade, que é o que realmente importa. A minha sugestão é de que deve contar sempre o necessário, de acordo com o que a criança já sabe. Deste modo, comece por perguntar à criança o que sabe sobre o Pai Natal. Depois, conte-lhe aos poucos a verdade. Não é adequado contar tudo de uma vez. Pode contar-lhe aos poucos que, embora não exista o Pai Natal, existe a missão de ajudar as outras pessoas, de não sermos egoístas, do auxílio ao próximo, da solidariedade. E o Pai Natal não vai deixar de existir totalmente pois a imagem fantasiosa do senhor gordinho das barbas brancas, irá dar lugar ao espírito de Natal, aos sentimentos de ajuda ao próximo, à generosidade e altruísmo, entre muitos outros valores, que as crianças devem cultivar e desenvolver. Por outras palavras, há que transformar a história fantasiosa do Pai Natal numa série de boas ações a serem desenvolvidas mediante o espírito de Natal. É claro que as crianças inicialmente podem ficar um pouco desiludidas e com a sensação de que lhes mentiram. No entanto, pode-se explicar que não é bem uma mentira mas sim ma espécie de mistério. Agora que a criança já está mais crescida, já consegue compreender isso como uma forma de deixar a infância para trás mas com memórias bem divertidas e vivas, que vão ficar com ela para sempre.

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