Opinião: Um Olhar sobre a pobreza

07/07/2021 19:00

Caros Leitores, hoje convido-vos a uma reflexão sobre a pobreza. O que é a pobreza? O que significa ser pobre? Há mais do que um tipo de pobreza? Que tipo de sentimentos imergem em nós quando pensamos nisto?

Isto porque, nos tempos que correm e no meu trabalho de ação social, sinto que emergiu com esta pandemia um novo tipo de pobreza com um conceito e uma realidade bem diferente do que era habitual. Uma pobreza envergonhada, nova, constrangedora de quem já teve a vida “bem arrumada” e se vê de repente numa situação de necessidade. Pessoas a quem o “garantido” foi arrancado de repente e substituído pela insegurança. Pessoas a quem a vida passou uma “rasteira” e se veem “a braços” com o desespero “do deixar de ter”. As verdades adquiridas passam de repente a dúvidas que assombram a vida de quem nunca pensou vir a precisar de pedir ajuda. E é tão difícil pedir ajuda. Raras são as pessoas que pedem ajuda de ânimo leve, pois o precisar traz constrangimento, angústia e muitas vezes vergonha.

Não temos de ser pobres para entender o que é a pobreza, mas temos de estar disponíveis e abrir as nossas mentes a fim de evitar o julgar gratuito que rotula a individualidade de cada um. Muitas vezes vivemos fechados na nossa concha, quando podíamos ser pérolas de luz na vida de outras pessoas e fazer a diferença. Não vivemos sozinhos, nem somos mais nem menos, somos apenas pessoas com diferentes realidades. Utilizemos as nossas diferenças, como talentos ao serviço da nossa comunidade.

O tempo urge, e a pobreza “grita” por mãos estendidas. Sentimentos nobres, de respeito e amor ao próximo tornam-se tão fundamentais como o ar que respiramos.

Felizes os que conseguem colocar-se no lugar do outro, os que conseguem sentir as suas dores e as suas preocupações. Felizes os que sabem ouvir. Felizes os que têm a riqueza de perceber que a pobreza é uma condição volátil, que hoje toca a uns e amanhã a outros. Felizes os que têm olhares doces e não cedem a julgamentos precoces.

Vejo muitas pessoas frustradas e fechadas nas suas próprias vidas, que criticam qualquer apelo, sedentas de negatividade, argumentando sempre a favor do mal, mas sem nunca tentarem praticar o bem. Esta para mim é a pobreza mais perigosa e que mais danos faz – A pobreza de espírito. Esta, infelizmente também tem crescido juntamente com a pandemia. Numa sociedade que defende a igualdade de oportunidades e os direitos humanos, cresce também a indiferença, o preconceito a discriminação, os rótulos gratuitos, juntamente com a preguiça de quem nada quer fazer para ajudar. Sejamos nós Ricos de Espírito e cultivemos os bons sentimentos no nosso coração, esforçando-nos por entender e respeitar quem sofre e quem se encontra em situação de pobreza, mesmo que, a mesma seja passageira. Se não o fizermos, seremos nós, sem dúvida, os mais pobres.

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