(i) Literacia em Saúde: Saúde Mental

09/08/2021 19:30

Diz o povo que mais vale Prevenir do que remediar. E diz muito bem. Mas será que cuidamos da nossa saúde mental como deveríamos?

Num ensaio publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos em 2018, intitulado A Saúde Mental dos Portugueses, José Caldas de Almeida partilha que Portugal estava nos lugares cimeiros das tabelas europeias de prevalência de perturbações de ansiedade e depressão e que 22.9% dos portugueses estava com algum tipo de problema psiquiátrico. 

Comparativamente com outros países europeus, Portugal tem uma das prevalências de tratamento mais baixas de pessoas com problemas ligeiros de saúde mental como, por exemplo, pessoas que apresentam alguns sintomas de ansiedade (irritabilidade, cansaço fácil, dificuldade de concentração). 

O sofrimento mental é um dos factores que mais incapacita a população e entre 2008 e 2015 aumentou de 19.8% para 31.2%, na população portuguesa. 

Neste ensaio é ainda referido que quem tem mais anos de escola tem uma saúde mental com melhor qualidade e que entre os jovens desempregados é menor naqueles que têm maior nível de escolaridade. 

E durante a pandemia, mudou o estado da saúde mental?

Vários estudos têm sido feitos e revelam um aumento de pessoas com problemas de saúde mental. Um inquérito aos estudantes conduzido pelas associações académicas e de estudantes do ensino superior revelou que apenas 18.1% dos inquiridos estava provavelmente bem. 

Segundo a OCDE cerca de 30% a 80% dos jovens poderá ter mais sintomas de depressão e ansiedade que os adultos. O isolamento social e a inactividade física são alguns dos factores que podem afectar a saúde mental. A dificuldade no acesso a cuidados de saúde mental, seja por distancimento geográfico ou carência de recursos humanos, pode agravar o estado de saúde.

Então, como podemos prevenir eventuais problemas de saúde mental?

Uma actividade física frequente e uma actividade social responsável podem desempenhar um papel fundamental na melhoria da qualidade da saúde mental e física e prevenção de problemas ou doenças. 

Não obstante, é importante desconstruir o estigma associado a pessoas com problemas psiquiátricos. Hoje em dia existem diferentes tratamentos, farmacológicos e não farmacológicos (terapia psicológica e outros), para ajudar quem precisa. 

É determinante que falar sobre saúde mental seja tão normal como falar de futebol ou política; é fundamental empoderar a população para que tenha consciência dos sinais de alerta em si e nos outros, para que possa ajudar e ser ajudada sem vergonha; é importante termos um estilo de vida saudável para evitar este tipo de problemas.

Como cada pessoa pode ajudar?

O empoderamento da população, seja pelo governo, por organizações locais ou entre as pessoas; a partilha de experiências pessoais, como recentemente feito pela atleta Simone Biles; e a educação para a saúde mental nas escolas e instituições de ensino superior, podem ter um impacto muito positivo na consciencialização da população.

Por outro lado, urge a necessidade do reforço de recursos humanos nos serviços de saúde para ajudar a população que está com problemas de saúde mental e para auxiliar na prevenção destes problemas. Importa, também, não esquecer que todos somos humanos e os profissionais de saúde estão, como qualquer ser humano, susceptíveis a este tipo de problemas.

Vivemos num tempo desafiante! Se os problemas de saúde mental até 2019 já eram motivo de preocupação a pandemia veio evidenciar e agravar ainda mais esta situação delicada de saúde pública. Hoje, mais que ontem, é importantíssimo Prevenir para não remediar.

 

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