Escritora moçambicana Paulina Chiziane vence Prémio Camões 2021

20/10/2021 18:40

No seguimento da reunião do júri da 33.ª edição do Prémio Camões, que decorreu no dia 20 de outubro, a ministra da Cultura anuncia que o Prémio Camões 2021 foi atribuído à escritora moçambicana Paulina Chiziane”, lê-se na nota informativa hoje divulgada.

“O júri decidiu por unanimidade atribuir o Prémio à escritora moçambicana Paulina Chiziane, destacando a sua vasta produção e receção crítica, bem como o reconhecimento académico e institucional da sua obra. O júri referiu também a importância que dedica nos seus livros aos problemas da mulher moçambicana e africana. O júri sublinhou o seu trabalho recente de aproximação aos jovens, nomeadamente na construção de pontes entre a literatura e outras artes.

Alguns dos seus livros foram publicados em Portugal e no Brasil, e estão traduzidos em inglês, alemão, italiano, espanhol, francês, sérvio, croata.

Paulina Chiziane nasceu a 4 de Junho de 1955 na província moçambicana de Gaza, no seio de uma família protestante, onde se falava chope e ronga. Aprendeu a falar português na escola de uma missão católica, pouco antes de se mudar para Maputo. Iniciou os estudos superiores na Universidade Eduardo Mondlane, mas nunca concluiu a licenciatura de Linguística. A viver na capital moçambicana, Paulina acabou por se juntar à FRELIMO durante a luta pela independência. Desiludida com a política, em 1984 abraça a escrita, começando pelos contos. A grande influência veio do avô, um contador de histórias nato. Começa por publicar alguns dos seus contos na imprensa moçambicana, como a Página Literária e a revista Tempo,  histórias que falam da vida em tempos difíceis, mas da esperança, do amor, da mulher, e de África.

Em 1990, Paulina Chiziane torna-se a primeira mulher moçambicana a publicar um romance – ‘Balada de Amor ao Vento’. No entanto, Paulina não gosta do termo romancista e diz sobre si: “Sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.” O maior sucesso surge com ‘Niketche: Uma História de Poligamia’ onde relata a vida de Rami, que após descobrir que o marido tem mais quatro mulheres resolve procurá-las. Paulina faz um apelo às mulheres para se unirem e se tornarem independentes. A obra ganhou o Prémio José Craveirinha de Literatura, em 2003. Em 2014, Chiziane foi agraciada pelo Estado português com o grau de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique, forma de reconhecimento do mérito e obra da autora e dedicou o prémio às moçambicanas: “Quero encorajar o meu povo, as mulheres da minha terra: por muito difícil que as condições sejam, caminhem descalços e vençam”.

Fonte/foto: Lusa/RTP

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