Entrevista: Dia Mundial da Saúde – 7 de abril

07/04/2022 13:00

A propósito do Dia Mundial da Saúde que hoje se assinala, Edgar Vaz, Especialista em Medicina Geral e Familiar no Hospital CUF Viseu fala-nos do papel crucial do médico de família na vigilância da saúde, prevenção e no diagnóstico precoce de possíveis doenças, ao longo da vida. Saiba quando deve procurar o seu médico. 

Qual é a importância de ter um médico que nos acompanha ao longo da vida?

A Medicina Geral e Familiar (MGF) caracteriza-se, entre outros aspectos, por um seguimento de doentes desde o nascimento até ao final da vida. Entre esses extremos, há variadas situações que, ao longo do tempo, necessitam de uma avaliação clínica. 

Nas várias fases do ciclo de vida são variáveis as necessidades de prevenção da doença e promoção da saúde, o seu diagnóstico e tratamento. Neste sentido, o especialista de MGF é um profissional com múltiplas ferramentas que permitem, ao longo deste continuum, integrar da melhor forma os diversos aspetos da pessoa, dos seus problemas, necessidades e prioridades, de acordo com a proximidade à pessoa e ao seu contexto familiar e social, de modo a diagnosticar e tratar as doenças que surgirem, articulando, sempre que necessário com outras especialidades médicas. O médico de família proporciona, assim, uma continuidade de cuidados que beneficia todo o agregado familiar.

A que sinais deve a população estar, particularmente, alerta e que devem levar, sem demora, a procurar um médico?

Acima de tudo, para evitar doenças devemos ter um estilo de vida saudável. Além dos fatores de risco não modificáveis, nomeadamente genéticos, será desse modo que conseguiremos uma maior probabilidade de evitar as chamadas “doenças civilizacionais”.

As doenças cardio e cerebrovasculares continuam a ser a principal causa de morte no nosso país e uma das principais causas de internamento e perda de quantidade e qualidade de vida. É, por isso, importante estar atento a sinais ou sintomas de enfarte agudo do miocárdio (dor no peito à esquerda, de início súbito, com irradiação para o dorso, ombro ou mandíbula, sem alívio com repouso) e acidente vascular cerebral (dificuldade em falar, boca ao lado, défice de força num membro).

Por outro lado, as doenças neoplásicas, vulgo cancro, também têm uma carga de morbimortalidade elevada, pelo que em caso de dúvida, deve marcar consulta médica no sentido de avaliarem a necessidade de realização de exames complementares.

Além desses, há uma outra série de sinais de alarme de doenças agudas, nomeadamente tosse persistente e dispneia (falta de ar), febre mantida ou de difícil controlo, vómitos e diarreia com desidratação, entre outros, que devem levar a procurar cuidados médicos no imediato.

O que é avaliado no âmbito da Consulta de Medicina Geral e Familiar e com que regularidade deve ser feita?

A consulta de MGF é, pelas características previamente elencadas, muito variável: avaliamos não só o doente – desde crianças a idosos – mas todo o seu contexto. Assim sendo, se num adulto jovem e saudável, a consulta médica pode ter uma frequência mais espaçada – exceto em casos pontuais de doenças ou necessidades agudas –  num idoso com múltiplos problemas e polimedicado, pode haver necessidade de consultas trimestrais ou até mais frequentes, em casos de descompensação.

Em cada caso específico será avaliada a probabilidade de doença, a necessidade de realização de exames complementares e marcado um seguimento adequado a cada um. 

E quando surge a necessidade de um seguimento mais específico?

Por vezes há casos em que é necessário referenciar o doente para outras especialidades. Nesse aspeto, a resposta deve ser sempre rápida e integrada, atuando a MGF como charneira e especialidade agregadora, encaminhando a pessoa para avaliação por meios complementares de diagnóstico, consultas com médicos de outras especialidades que avaliem ou resolvam problemas específicos com as ferramentas próprias de cada valência. No caso da CUF, estando o médico especialista de MGF inserido numa estrutura que permite orientar o doente, por vezes até no imediato, isso pode representar uma mais-valia importante.

Desde a avaliação inicial até ao encaminhamento, orientação e seguimento a longo-prazo, o médico de Medicina Geral e Familiar tem um papel determinante de orientação dentro do próprio sistema de saúde, mantendo sempre a proximidade com o doente e a visão global da pessoa.

Por outro lado, as pessoas podem não conseguir aperceber-se da melhor maneira de abordar situações complexas ou determinados sinais ou sintomas e, desta forma, o MGF deve ser o médico de referência. 

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