ARTIGO DE OPINIÃO: XUTOS&PONTAPÉS

15/08/2022 19:30

Se é verdade, como noticiou um jornal diário, entretanto, não desmentido, que um meio aéreo pesado, “Canadair”, que opera a partir do Centro de Meios Aéreos de Castelo Branco, esteve inoperacional durante 5 horas, devido à falta de combustível, na 2.ª feira, dia 8, a partir das 13H55, estamos perante uma situação de falta de profissionalismo, de desleixo, de negligência, de incompetência, e de tudo o mais que aprouver chamar a tamanho disparate. 

É suposto que as bases estejam dotadas do combustível necessário para abastecer as aeronaves aí estacionadas, e que até o tenham em reserva para uma eventual sobrecarga de horas de voo.

E, por azar dos Távoras, a paragem logo aconteceu, nos dias em que graves, difíceis e complexos incêndios assentaram praça naqueles territórios, pelas bandas da Serra da Estrela.

Sabendo-se como os meios aéreos têm a sua importância no teatro de operações, caso contrário não se alugavam, nem se compravam, lembrando aqui que está prevista para o próximo ano a aquisição de 60 aeronaves, no quadro do PRR, é fácil concluir o contributo negativo que tal ausência terá tido no desenvolvimento dos incêndios em apreço.

Às questões colocadas pela comunicação social, a ANEPC chutou para a empresa com quem contratualizou aquelas aeronaves, e esta, no seu repousado descanso, pontapeou o esférico para canto, isto é, para o silêncio, que, normalmente, é o espaço onde se sentam os culpados, os mudos e os que, gozando de dinheiros públicos, se sentem no direito de nada dizer.

A ANEPC não terá responsabilidades directas no caso, dado que, com toda a certeza, a empresa se comprometeu, contratualmente, a ter asseguradas as condições logísticas à plena intervenção dos meios.

O Estado só terá culpas se a ele couber a responsabilidade de garantir o fornecimento de combustível, o que não creio, ou se, perante os factos, não accionar severamente as sanções que terá, contratualmente, ao seu dispor, e, dessa forma, colocar a empresa no carreiro devido.

E o carreiro devido é aplicar-lhe a multa pela medida grande, isto é, a mais extrema que o contrato estipular, e interromper, fundado em justa causa, com efeitos para o próximo ano, o vínculo contratual estabelecido, dispensando, desse modo, os seus maus serviços.

Só assim aprenderão.

E se o caderno de encargos estiver bem feito, garanto que aprenderão a lição bem depressa, pois que as multas costumam ser pesadas.

Não o fazendo, então sim, o Estado será cúmplice, frouxo, mole e mau gestor do interesse público.

Não o fazendo, parece que, nesta alegre casinha, não saímos deste joguinho tonto e sujo de “xutos” para aqui e pontapés para acolá, e em que a culpa, por falta de quem a queira, morre sempre solteira.

Mas era bom que este lamentável episódio não ficasse esquecido nos bailaricos de Agosto, e fosse bem esclarecido, dando-se público conhecimento da resolução encontrada.

Este e todos os outros em que o uso dos dinheiros públicos está em causa.

P.S. Pior ainda, soube-se agora que, desde Julho, 1 “Canadair” esteve inoperacional durante14 dias completos, por avaria no motor, e um outro esteve 3 dias em terra, por motivos de manutenção programada. Uma paragem programada para o período crítico dos incêndios, não está mal pensada…

Por vezes, o que faz falta é planeamento…

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