ARTIGO DE OPINIÃO: VINHOS DE LAFÕES – qualidade garantida num território de memórias

17/08/2021 19:30

Os vinhos são um marco cultural e identitário indiscutível de uma região, cofre de memórias associadas aos rituais do quotidiano (o sagrado e o profano, a vida e a morte)… Diz-me o que bebes e dir -te -ei quem és!…

LAFOES é um território especial nas suas características físicas e ambientais, nas particularidades das suas gentes. Vale implantado entre serras distintas, espaço eleito entre o litoral e um interior ainda mais montanhoso, atravessado pelo curso rápido do Vouga, estas caraterísticas e ainda outras proporcionam uma certa especificidade meteorológica e de “terroir” que se refletem nas caraterísticas dos seus vinhos (caraterísticas físicas, aromas e texturas, paladares)…

 A Confraria dos Gastrónomos de Lafões vem acolhendo os novos (e antigos) produtores para ajudar a renovar o espaço de degustação dos vinhos de Lafões (tinto e branco, rosê e espumante), depois que se perdeu o espaço de intervenção da extinta Cooperativa dos Vinhos de Lafões. Para o efeito, e no seguimento do trabalho que vem realizando de produção de um livro técnico e gastronómico sobre os Vinhos de Lafões, organizou em Vouzela uma prova cega dos vinhos de Lafões (engarrafados). A prova aconteceu no maravilhoso espaço restaurado da Casa das Ameias em Vouzela, propriedade da atual Grã Mestre da Confraria, um passo importante para a conclusão do livro em construção sobre os Vinhos de Lafões. A prova cega teve a participação de mais de uma dúzia de provadores (entre os quais alguns confrades), e foi conduzida pela Enóloga Teres Colaço do Rosário (com raízes familiares na vila de Vouzela) para provarem as qualidades de 14 vinhos (a maioria deles brancos, mas também dois tintos e um rosê, bem como um ligeiramente gaseificado). A Quinta da Comenda, a Quinta da Moitinha, a Quinta da Toca da Raposa, as Encostas de Lafões, o Contestado, o Chão do Vale, as Encostas do Mosteirinho e a Quinta do Gato apresentaram-se a esta prova cega, marcando traços distintivos, uns mais tradicionais do que outros, mas no final todos aprovados com distinção. Da apreciação global realizada no final pela enóloga presente, e pelo seu companheiro, ambos habituados a estas andanças, os vinhos de Lafões estão a alcançar uma qualidade acima da média, nesta tipologia de vinhos, podendo ambicionar alcançar novos mercados nacionais e até estrangeiros, prometendo ocupar um lugar de distinção no panorama dos novos vinhos em ascensão.

O território oferece ainda uma salutar e interessante conjugação de sabores para acompanhamento com estes vinhos (as carnes serranas do cabrito e da vitela de excelência, as sopas secas ou fartas, os enchidos de porco, e a doçaria onde se destaca o pastel de Vouzela).

Os nossos agradecimentos (e felicitações) aos produtores presentes, pela capacidade de resiliência e ousadia de investimento na terra, e na produção de um vinho representativo das memórias aromáticas e dos sabores da região.

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