ARTIGO DE OPINIÃO: Um país a cair para o mar!

15/05/2022 19:30

Portugal é um país com fortes desigualdades regionais.

A tendência centralista do nosso país faz com que quase todos os principais organismos públicos e órgãos de decisão política estão concentrados na capital.

O mesmo acontece com as maiores empresas e grande parte do investimento público e privado.

A tendência natural das pessoas é deslocarem-se para onde há “economia”, e assim a emigração para os centros urbanos do litoral tem sido a tendência histórica.

Ao comparar o PIB per capita das regiões portuguesas, percebe-se rapidamente a dimensão deste desequilíbrio, uma vez que, tendo em conta a dimensão do nosso país, se verificam diferenças muito significativas.

 Analisando os dados disponíveis para o ano de 2019, a Área Metropolitana de Lisboa apresentava, um PIB per capita superior à média da União Europeia (102%). 

As restantes regiões de Portugal apresentavam PIB’s per capita muito inferiores idênticos aos países mais pobres da UE. A exceção era a região do Algarve, onde PIB per capita representava 88% da média da UE. O resto do país apresentava um PIB per capita entre 67% e 76% da média da UE, que se equipara ao de países como a Polónia, a Eslováquia, a Hungria, a Roménia ou a Croácia. 

A riqueza gerada em Portugal por habitante era, em 2019, cerca de 79% da média da União Europeia, mas caiu para 74% em 2021, em grande medida devido à pandemia.

Este desequilíbrio entre Lisboa e o resto do país limita e condiciona o crescimento nacional como um todo e de forma sustentável.

A análise dos dados económicos reflete igualmente outra realidade.

O fosso entre litoral e interior acentua-se ainda mais devido à perda de população das regiões do interior a favor das áreas metropolitanas do litoral.

As desigualdades ente o litoral e o inferior continuam a acentuar-se, apesar do investimento e benefícios que o estado realizou e atribuiu nos últimos anos.

Como referido anteriormente as pessoas deslocam-se para onde há “economia”.

É necessário repensar o paradigma atual, e para começar a descentralizar é necessário atrair e fixar investimento privado no interior. 

Em seguida, mais tarde ou mais cedo, as pessoas deslocam-se naturalmente.

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