ARTIGO DE OPINIÃO: Tenho barcos, Tenho remos

16/12/2021 18:30

Reféns de uma visão elitista, pseudo-vanguardista mas realmente hermética, entregue a um grupo de compadrios – assim navegam alguns equipamentos culturais do nosso país. E aqui, pelas Beiras, também não há “mais marés que marinheiros”. Programadores (os tais marinheiros) com uma suposta supra visão estética impõem-se a equilibradas e diversificadas programações culturais (as tais marés) que pudessem – Deus nos valha! – atrair mais público ou –  Vade Retro! – público mais comum. O sacrilégio que de uma navegação dessas resultaria seria um imenso mar da educação cultural, através de uma diversidade de oferta, obviamente filtrada por competência e honesta democracia cultural, ao invés de assente num viciado ciclo de amigos (mais ou menos dentro) das teias do poder. O pior de tudo é que em alguns meios mais pequenos, mas servidos de “embarcações” viáveis, seguem-se quiçá os mesmos pressupostos de navegação. Acredito que os ventos do Norte, mormente soprados do Rivoli do Porto e seus iluminados marinheiros fazem escola nas Beiras. O que interessa é manter a coisa entre quintais, porque “para quem é, bacalhau basta”. Basta! – digo eu! A qualidade não é apanágio de um género ou estilo artísticos. Como disse o actor Pedro Martinho:

“O lobby artístico, político e afins impede a vida democrática das artes”… e tem razão o Pedro.

Aos excelentíssimos senhores que chegaram agora às cadeiras de decisão que entregam os lemes das suas embarcações, desejo que tenham a coragem de nadar a favor da maré e não contra ela. É muito fácil. Basta nadar com o público que procura e enche os seus centros culturais. 

Afinal, se somos um país de Navegadores, que sentido faz remar contra a maré? Haja coragem!

Termino com Zeca Afonso:

“Tenho barcos, tenho remos, 

Tenho navios no mar,

Tenho Amor ali defronte 

E não lhe posso chegar.”

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