ARTIGO DE OPINIÃO: O milagre da multiplicação

16/04/2021 21:00

Estamos em ano Olímpico, onde durante um par de semanas as modalidades desportivas atingem o seu auge. Há semelhança de edições anteriores, num país virado sistematicamente para o futebol, haverá uma altura, durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, que o fiel “futebolês” vai retorquir: se era para isto, mais valia terem ficado em casa. 

Uma atitude errada com base num desconhecimento generalizado, há excesso de informação direcionada para o futebol e um asfixiar de factos noticiosos relevantes das restantes modalidades nacionais. Discute-se o gesto, a palavra, o cartão amarelo e deixa-se de parte o mais importante: o Desporto.

Vamos a factos concretos, Portugal sofre de discrepância financeira clubística e governamental: Para se ter uma ideia, um salário mensal do Pizzi, Paulinho ou Otávio, é superior a um ano de rendimentos de cerca de 10 atletas de alta competição. Assim como, por exemplo, o dinheiro que os Estados Unidos da América investem na equipa de triatlo é superior ao que Portugal dispõe para todo o Projecto Olímpico. Há atletas com longas carreiras ao mais alto nível que, anos depois de terem terminado, passam por graves dificuldades financeiras.

A influência familiar também assume um papel relevante, com os pais a olhar para os filhos como uma possível aposta milionária, com pensamentos numa escala a possíveis comparações ao João Félix ou Cristiano Ronaldo, grande parte dos jovens está formatado à nascença para enveredar por uma carreira no mundo do futebol.

Aqui surge o milagre da multiplicação, as Federações nacionais com défice monetários – sem grande condições de projetar e oferecer aos atletas condições dignas de Alto Rendimento – com parte do potencial desportivo a ser direcionado sistematicamente para o futebol, o nosso país continua a somar milagrosamente novos talentos: Mariana Machado (Atletismo), Raquel Brito (Judo) e Raffaele Stroti (Râguebi) João Almeida e Maria Martins (Ciclismo), são alguns nomes que a curto/médio prazo vão estar nas bocas do mundo e levar a bandeira nacional aos quatro cantos do mundo.

Se podiam ficar em casa? Podiam, mas o amor ao Desporto não tem preço.

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