ARTIGO DE OPINIÃO: Nunca é tarde para se homenagear quem tanto enriqueceu a literatura infantil e não só…

29/09/2021 19:30

Neste início de ano letivo, dado que muitas das suas obras são abordadas nas escolas em vários anos de escolaridade, considero oportuno fazer uma pequena e singela homenagem a um dos maiores escritores portugueses.

António Torrado deixou-nos, fisicamente, no dia 11 de junho de 2021, com 81 anos. Contudo, pelo grande legado que nos deixou, permanecerá sempre connosco, que o recordaremos com gratidão, carinho e muita saudade.

Exerceu muitas e diversificadas funções, sobejamente conhecidas e reconhecidas, no entanto, destaco a de escritor e de excelente contador de histórias infantis. Dedicou mais de meio século às palavras, que transformou em mais de uma centena de livros, a maioria dos quais infantis, que têm feito o deleite de gerações sucessivas de leitores portugueses e não só, dado que muitos dos seus livros e contos estão traduzidos em várias línguas. Em 1988, recebeu, merecidamente, o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças.

Tive o privilégio de conhecer este ilustre escritor, sempre simpático e acolhedor, oferecendo a quem com ele se cruzasse um olhar e um sorriso meigos. Era também conhecido por ter sempre à mão um livro para oferecer. Por duas ocasiões, após alguns momentos de conversa sobre as obras que andava a analisar com os alunos e o quanto apreciava o seu trabalho, fui brindada com as suas ofertas! A última ocorreu no FOLIO, em Óbidos em 2017. “Os meus amigos”, foi o livro que me ofereceu juntamente com estas palavras “Tenho aqui um livro à mão de semear e algo me diz que a minha cara amiga vai gostar.”

Como leitora e como professora bibliotecária, conheço relativamente bem as suas obras infantis e as potencialidades das mesmas. “Trinta por uma linha”, é uma das obras que mais tenho trabalhado com os alunos. Trata-se de um conjunto de trinta histórias fantásticas que permitem despertar as crianças (e adultos) para o imaginário do mundo que os rodeia, verificando que as coisas ganham vida e têm vontade própria! Desta forma, passam a olhar para o que está à sua volta de um modo mais significante e divertido. De entre estas 30 pequenas-grandes histórias extremamente pedagógicas e engraçadas, destaco a “Bolacha Maria”. É uma história tão pequenina que nos diz tanto… Recomendo, vivamente, a sua leitura. 

E Termino esta singela homenagem com as palavras do crítico e investigador José António Gomes: “Torrado impôs-se como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura do pós-25 de abril e dificilmente se encontrará hoje um autor que, de forma tão equilibrada, saiba dosear em livro o humor, a crítica e os sinais de um profundo conhecimento do imaginário infantil.”

Bom ano letivo e boas leituras!

Para refletir: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”

(Maria Julia Paes de Silva)

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