ARTIGO DE OPINIÃO: “Não nascemos leitores. Tornamo-nos leitores. E, o difícil é permanecermos leitores.”

14/04/2021 21:00

Nesta primeira abordagem, sendo o mês de abril pródigo na comemoração de datas que dão destaque ao livro e à literatura: 2 de abril-Dia Internacional do Livro Infantil e 23 de abril-Dia Mundial do Livro, sei por experiência própria, enquanto Professora Bibliotecária, da importância que estas datas assumem na promoção da leitura, em particular na leitura prazerosa. Neste sentido, irei debruçar-me sobre a data que se relaciona com uma área que me é particularmente mais cara, o mundo da literatura infantil, dando resposta às seguintes questões: Como surgiu a comemoração do Dia Internacional do Livro Infantil?; Que importância tem assinalar esta efeméride?

– 2 de abril – Dia Internacional do Livro Infantil? Esta data é celebrada em todo mundo, por iniciativa do Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), que criou este dia em 1967, para homenagear o autor de algumas das histórias para crianças mais lidas em todo o mundo: o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, cujo aniversário do nascimento é assinalado a 2 de abril. O objetivo principal da comemoração desta data é chamar a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância.

Para comemorar esta efeméride, em Portugal há várias iniciativas, tal como em vários países, nomeadamente nas escolas e através da DGLAB que, como é habitual, disponibiliza um cartaz elaborado pelo vencedor do Prémio Nacional de Ilustração, este ano da autoria do ilustrador Bernardo P. Carvalho.

Num nível mais abrangente, o IBBY internacional convida, anualmente, um país a dar o mote e a escrever um texto alusivo à literatura para a infância. Este ano foi da responsabilidade dos Estados Unidos. O texto “Música das palavras” é da autoria da escritora cubano-americana Margarita Engle, com tradução de Ana Castro.

Há um reconhecimento geral de que a leitura é, sem dúvida, a pedra angular para o sucesso escolar das crianças e para a sua plena realização. No entanto, num mundo em mudança, são mais as dúvidas do que as certezas quanto ao que gera nas crianças e nos jovens, motivação para ler. Porém, há uma certeza: para que as crianças/alunos amem os livros e a leitura é preciso cativá-los, lendo e partilhando leituras, mostrando que os livros são parte imprescindível dos nossos dias. Devemos, contudo partir da premissa “A leitura é, em primeiro lugar, um prazer e os prazeres não se impõem, comunicam-se por contágio” (Fernando Savater). De nada valerá impor a leitura recreativa, porque o verbo ler não suporta o imperativo, tal como o verbo amar ou o verbo sonhar (Daniel Pennac).

Para refletir: Não nascemos leitores, tornamo-nos leitores. E, o difícil é permanecermos leitores.

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