ARTIGO DE OPINIÃO: Livros de autoajuda Vs Terapia

09/10/2021 16:40

Nos últimos anos os livros de autoajuda têm conquistado prateleiras exclusivas nas livrarias e um dos primeiros lugares nas listas de livros mais vendidos. As respostas que a população procura nestes livros referem-se a problemas que permeiam o campo de estudo da psicologia.

Para vários investigadores, o que tem tornado estes materiais tão atrativos é a oferta de soluções para os problemas vividos no mundo contemporâneo. Por vivermos numa sociedade cada vez mais imediatista, que quer respostas rápidas, talvez um livro com “5 passos para controlar a sua ansiedade” ou “Os segredos para vencer a depressão em 15 dias” soe realmente mais atrativo do que um processo médico mais longo, por exemplo, com psicoterapia. Pode parecer melhor escolher o caminho “mais rápido” (e consequentemente “mais barato”) mas nem sempre o caminho mais rápido será o melhor. A autoajuda é um processo de autoconhecimento no entanto, não pode ser considerado um tratamento.

Paralelamente, este tipo de literatura geralmente é elaborada com base em perceções particulares e nas vivências/experiências do próprio autor. Apesar de muitas destas obras citarem estudos e pesquisas, as suas considerações ou resultados não têm qualquer tipo de validação científica e, por conseguinte, não podem ser generalizados, ou seja, não surtem efeito se aplicados amplamente ou se adotados por qualquer pessoa indistintamente. Geralmente, o seu conteúdo é tido como genérico, ou seja, é apresentado por meio de fórmulas e receitas que, supostamente, funcionam em qualquer tipo de pessoa, ambiente ou cultura, a depender somente do nível de introjeção das mensagens ou frases motivacionais oferecidas e da determinação e perseverança do leitor em aplicá-las em sua vida.

A autoajuda pode ter um efeito benéfico sim na vida das pessoas, mas não é sinónimo de psicologia, que é uma ciência. Não obstante, na psicologia , cada cliente é visto como um ser individual e único, com as suas próprias características, as suas experiências e vivências pessoais, o seu “background”, entre outros. O profissional tem consideração por todas essas particularidades e especificidades da pessoa que o procura, e dará a ela todo o suporte e o acompanhamento necessário segundo abordagens e procedimentos testados e amplamente desenvolvidos, e com teorias muito bem estruturadas e comprovadas no decorrer de décadas de estudos e pesquisas. As dificuldades de cada cliente são tratadas diferencialmente e não em “escala industrial”, como se o problema apresentado fosse resolvido com uma fórmula pronta. Alguns livros e conteúdos motivacionais podem até servir como instrumento auxiliar da terapia, mas nenhum deles poderá substituir a riqueza da experiência advinda de uma relação terapêutica entre o cliente e o psicólogo.

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