ARTIGO DE OPINIÃO: Literatura 1 – O Holocausto na Literatura (e na Banda Desenhada em Particular)

28/04/2021 20:00

  A 27 de janeiro assinala-se anualmente o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. O tema deste ano foi «Encarar as consequências: Recuperação e reconstituição na década após o Holocausto».

O propósito deste dia é sobretudo não deixar cair no esquecimento o assassinato deliberado em massa de seis milhões de judeus pelos Nazis e respetivos colaboracionistas. Este constitui um dos maiores crimes contra a Humanidade de que há memória. Por outro lado, pretende-se educar para os valores universais da tolerância e da paz, bem como alertar para o combate ao antissemitismo.  Este dia foi implementado através da Resolução 60/7 da Assembleia Geral das Nações Unidas, a 1 de novembro de 2005.

A literatura criativa (Prosa e Poesia) muito se tem debruçado sobre esta temática, renovando-se os títulos nos escaparates e montras de livrarias. Algumas destas obras tornaram-se bestsellers, como o Diário de Anne Frank, ou as obras de Primo Levi (É isto um homem?) que é uma das grandes obras da literatura mundial). Em Portugal e recentemente as obras de José Rodrigues dos Santos “O Mágico de Auschwitz” e “O Manuscrito de Birkenau” receberam mesmo duras críticas devido a imprecisões históricas e conclusões subjetivas sobre a Solução Final. Não vou aqui repetir críticas nem julgar a obra criativa de José Rodrigues dos Santos, outros melhor habilitados o fizeram e continuarão a fazer.

Aproveito esta oportunidade para realçar a forma como a Banda Desenhada vem trabalhando a temática, num género ainda infelizmente muito esquecido e alheado de muitas bibliotecas. Recentemente participei num Curso de Formação sobre o Holocausto, em Jerusalém, organizado pelo Instituto Yad Vashem (responsável pela educação sobre o Holocausto, em particular para docentes). Aproveitei esta singular experiência para desenvolver um trabalho de recolha e divulgação de diversas obras de BD que durante décadas versaram esta temática do Holocausto, em Portugal e no estrangeiro. Este trabalho deu origem a uma exposição itinerante intitulada HOLOCAUSTO NA BD, propriedade da Associação GICAV, que retrata em 15 painéis os meandros da Solução Final e do Holocausto, através de uma mão cheia de obras de inegável qualidade artística, algumas verdadeiros testemunhos inspirados em casos verídicos. Aqui menciono as obras, algumas traduzidas em português, que no conjunto nos dão uma abrangente e crítica visão do Holocausto em imagens. 

Das obras retratadas salientam-se “O Diário de Anne Frank “ (adaptação para BD de Ari Folman e David Polonsky ) , “Aristides de Sousa Mendes, um herói da Liberdade, do português José Ruy,  ou a visão humorista de outro português Artur Correia sobre este herói do Holocausto; O Pugilista,  de Reinhard Kleist, inspirada na vida do pugilista judeu  Harry Haft nos campos de concentração ; o clássico MAUS de Art Spiegelman, narrativa de uma família de ratos (os judeus) e gatos (os nazis); ‘SEGUNDA GERAÇÃO: COISAS QUE NUNCA DISSE AO MEU PAI’, do judeu Michel Kichka; Auschwitz, de Pascal Croci, inspirado na saga da sua família no campo de extermínio. Estas são obras exemplares, que ajudarão diferentes gerações a compreender o Holocausto, tanto quanto a desenvolver um sentido crítico sobre os extremismos e o racismo.

Carlos Almeida abril 2021 

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