ARTIGO DE OPINIÃO: GIANT, 1932 (o preço da verdade)

09/03/2022 18:30

De regresso à Banda Desenhada, género muitas vezes marginal aos olhos de leitores e “consumidores” de Arte, venho apresentar a minha singela avaliação emocional e artística desta fabulosa obra (novela gráfica).

A história (uma realidade tão assustadora quanto desafiadora) passa-se na cidade de Nova Iorque, no início dos anos 1930 (em plena Grande Depressão). Fazer-se passar por um outro homem tem um preço: o da verdade. A verdade que, mais cedo ou mais tarde, acaba sempre por ser revelada…

Na Nova Iorque da Grande Depressão, imigrantes provenientes de todas as partes do globo arriscam a vida na construção do mítico Rockefeller Center.

Giant, um misterioso colosso irlandês, é um dos inúmeros trabalhadores que, com os seus compatriotas imigrantes, labuta arduamente na construção da Grande Maçã (big apple). Mas, contrariamente aos demais, Giant parece mais interessado em fugir de um passado que o persegue e atormenta. E quando duas vidas se cruzam, nem tudo é que parece. Giant é um dos inúmeros trabalhadores anónimos que vivem em cima daquelas vigas metálicas suspensas no vazio das alturas abismais das construções de uma Nova Iorque em plena reformulação arquitetónica e expansão urbanística vertical, resultante do minguado espaço urbano em largura de Manhattan, a par de uma manifestação do poder de recuperação do modelo capitalista.

Giant, que a Ala dos Livros publicou em edição integral, que reúne os dois volumes originais, é um comovente relato sobre a imigração e as origens do sonho americano. Uma apaixonante narrativa, que se desenrola na sombra dos arranha-céus da grande cidade que nunca dorme, conduzida pelo grafismo impressionante de Mikaël (Prémio de BD RTL Junho 2017 por Giant – Tomo 2; Prémio Albéric-Bourgeoisau do Festival Québec-BD 2019 por Giant – Tomo 2).

O autor, Mikaël, é um Autodidata, um franco canadiano que está presente no mundo da banda desenhada desde 2001. Publica diversos contos juvenis, dos quais assina simultaneamente o argumento, o desenho e a cor. Com um estilo gráfico poderoso e realista, cheio de cor e suavidade, realiza também várias ilustrações para livros infantis. (…)

Nas palavras de Paulo G., aqui se acompanha de forma emocional “o crescimento de uma grande metrópole, em tempos de Depressão, pelos olhos dos homens que construíram os grandes edifícios de Nova Iorque. Ao mesmo tempo que se desmascaram as mistificações fotográfica da altura. História, Arte e crítica social num clássico imediato da banda desenhada”.

Esta novela gráfica é um trabalho de traço e expressividade carregado de sensibilidades, e que nos desperta para a magia das pequenas coisas através de um acompanhamento dos pormenores da vida de simples operários de um bairro pobre, onde cada dia é uma luta permanente entre a sorte e a aventura, o pão e o dinheiro, o individual anónimo e a magnificência da enorme metrópole que não dorme. Uma viagem através do tempo para uma América a tentar sair da Grande Depressão. Uma obra de Arte imprescindível.

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