ARTIGO DE OPINIÃO: Fim de namoro

26/03/2022 15:15

O término de um relacionamento amoroso, como muitos já devem ter vivenciado, é um momento bastante difícil. É comum que a separação traga uma dor que vai além da emocional. Muitas pessoas relatam, nestes momentos, sensações físicas de ansiedade como falta de ar, dores no peito, dores de cabeça, tremores, assim como sintomas mais depressivos como confusão mental, alterações no apetite, no peso, no sono, isolamento, entre outros. Estes sentimentos surgem pois, após um rompimento fica o luto, que é o corpo a reagir a uma perda importante. O luto pode ser definido por um processo emocional penoso, em que o interesse pelo mundo externo diminui e os pensamentos costumam girar em torno desta pessoa perdida e que se torna tão difícil de voltar a alcançar.

Assim, faz sentido que um término de relação possa parecer o fim do mundo numa fase inicial. Felizmente, um grande número de estratégias pode ajudar a lidar um pouco melhor. As nossas reações individuais ao fim de um relacionamento variam conforme a idade, o género, o nível de envolvimento emocional e até mesmo o estilo de vinculação (relação que temos com os nossos pais e que nos fizeram ver o mundo de determinada forma).

Posto isto, o ser humano é um ser de rotinas e hábitos. Chegar a casa e encontrar sempre a mesma pessoa ou no fim de semana contar sempre com alguém especial para os momentos de lazer dá um certo sentimento de conforto, assim como a expectativa que inevitavelmente se vai criando de um futuro em conjunto. Perder esta pessoa pode ser muito doloroso porque a rotina e a companhia esperada mudam drasticamente. Neste momento, pode ser de grande valia seguir algumas estratégias:

1. Aceitar e permitir sentir a tristeza. Logo que o relacionamento termina é quando sentimos o maior impacto. De repente, de um momento para o outro, a pessoa que era a companheira de todas as horas já não é mais. É importante dar tempo e espaço para sofrer, sentir as mudanças, processá-las e adaptar-se a elas.

2. Voltar a realizar atividades que tragam felicidade. O importante é preencher o tempo com atividades que te façam bem, que sejam do teu interesse e ajudem a melhorar o teu humor como estar com os amigos, combinar atividades desportivas, investir em áreas que gostes, etc…

3. Ficar bem perto de boas companhias. Traz para perto de ti as pessoas que têm boas energias e em quem podes confiar e que gostam de ti. Cerca-te de família, amigos, animais, etc.

4. Numa fase posterior, tenta analisar e avaliar o que precisas num relacionamento. Algumas vezes a dificuldade em aceitar o fim de um relacionamento pode ser confundida com amor. O fato de não conseguir lidar e reagir mal à separação não significa necessariamente que a pessoa ama muito o outro, pode significar posse ou dificuldade em lidar com a rejeição por baixa autoestima e achar que mais ninguém a vai valorizar. Amor também pode ser confundido com a necessidade de companhia por medo de ficar sozinho e de ter de enfrentar o mundo sozinho sempre.

Abrir oportunidades para conhecer novas pessoas, mesmo sem expectativa de novos relacionamentos, fazer amizades e ter novas experiências pode preencher um possível vazio e ajudar a perceber algumas destas questões.

Por fim, sabias que o amor romântico é apenas um entre os milhares de tipos de amor? As nossas “almas gémeas”, de uma maneira romantizada, podem não ser um namorado/a mas sim os nossos amigos, familiares ou até mesmo um animal.

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