ARTIGO DE OPINIÃO: Filhos Ilustres de Viseu – 100 anos de espera? 

28/09/2022 19:30

Todas as localidades conheceram ou conhecem filhos ilustres, pessoas por detrás de um nome ou de um título, verdadeiros embaixadores de um povo ou representantes de um território e suas particularidades. 

Um amigo verdadeiro, o Luís César Teixeira (Santa Cruz da Trapa), emprestou-me há alguns dias uma verdadeira relíquia. Uma obra da autoria do Coronel Numa Pompilio, documentações inéditas a partir de uma conferência realizada em 19 de fevereiro de 1937 no Teatro Viriato, em Viseu. Uma obra desgastada por quase 100 anos de consultas, um verdadeiro tesouro de informação sobre a Cultura e os Ilustres de Viseu. 

Dedicada aos “excêntricos e boémios Visienses”, esta obra é um inventário e reportório inesgotável de História, Literatura, sobre Figuras notáveis de Viseu e a sua atividade na região, em diferentes domínios. Por incrível que pareça, foi na altura uma encomenda da Câmara Municipal de Viseu, em articulação com a Comissão de Turismo então criada.

A obra é dedicada aos Viseenses do passado (Homens do passado! Homens de Viseu! O Meu – o Nosso infindo respeito pelas vossas nobilitantes memórias!)

Veio esta obra como “uma necessidade de Viseu de tanto relembrar e honrar” aqueles que fizeram e fazem da sua cidade o território de criação e ação, de intervenção e construção. São tantos os grandes nomes de Viseu nas Artes e nas Letras, na Música e no Desporto e na Política, no Associativismo e no Empreendedorismo, e que merecem figurar numa gigantesca obra de reconhecimento e memória, honrando e justificando o seu contributo (tantas vezes indelével) para o bom nome de Viseu e para o progresso cultural e social do concelho. Desde artesãos a ilustradores, gente do Teatro e da canção, do fado e da intervenção, da Igreja e do apostolado, das ciências e da investigação, do voluntariado e dos negócios, homens e mulheres que engrandecem a nossa terra, esperam que se lhes faça justiça incluindo-os numa gigantesca obra antológica, como esta obra sobre os “Filhos Ilustres de Viseu” do início do século XX.

A obra começa por enunciar os prelados, nos quais se incluem à cabeça Dom António Alves Martins, com publicação e algumas das suas cartas.
Continua-se depois a enunciar os Poetas- Políticos (Tomaz Ribeiro, Alves Martins), depois os grandes Poetas (Beatriz Pinheiro, José Branquinho, entre outros), os Médicos Ilustres, os Farmacêuticos, Advogados e jurisconsultos, Professores e Escritores, Jornalistas e eruditos, Pintores (como o gata, Vasco Fernandes, Beneméritos e Filantropos, Heróis e Guerreiros, Políticos, famílias Distintas, e por aí continuando um enunciado vasto d e informação prestigiosa e imprescindível para a História da Cidade e do Concelho. 

Algumas iniciativas dispersas e vêm realizando, ora pela Freguesia de Viseu (Homenagens a figuras importantes da Cidade) ora pela Câmara Municipal (Viriato de Ouro), ora pelas Associação GICAV (Prémios Animarte), mas todas elas se perdem no tempo, não restando um inventário fiel e cronológico dos mesmos. 

Esperando que esta crónica possa chegar a quem e direto, no sentido de alertar para esta necessidade urgente (inventariação das personalidades ilustres de Viseu dos últimos 100 anos), deixo a proposta de um regresso a esta obra quase secular (documento histórico mais do que obra literária). 

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