ARTIGO DE OPINIÃO: Céu Azul

05/08/2021 19:30

Não sendo eu uma mulher ligada às letras nem às lides da escrita, andei às voltas com as múltiplas possibilidades para dar início a estes meus “artigos de opinião” sobre arte. Mas também não sendo eu uma mulher ligada à música, ao teatro ou à dança, considerando-me apenas uma grata usufruidora, o tema teria mesmo que ficar no campo das artes visuais… mas, depois, pensei: o que seria da música sem a dança, do teatro sem a imagem, da pintura sem a música, enfim… e se a música se calasse, se os bailarinos deixassem de dançar, se os pintores não voltassem a pintar… Sem querer dramatizar, e na minha perspetiva, o mundo escurecia e aos poucos morreria…

Infelizmente, todos sentimos esta nuvem negra a pairar durante estes últimos tempos, o tempo da Pandemia: a falta da Arte, nas suas diferentes manifestações. Ir a um museu, visitar uma exposição, ir ver uma peça de teatro, um concerto… quem não sentiu falta? Claro que através das plataformas digitais podemos visitar museus, ir a uma “live” ou um “direto”, mas a experiência de ver, sentir, cheirar e até saborear, isso só conseguimos ter plenamente quando estamos fisicamente nos locais. Os nossos sentidos precisam de todos esses estímulos.

Aos poucos a nuvem negra vai-se dissipando e vamos emergindo deste pesadelo. A vontade de voltar à nossa vida normal é o desejo coletivo. Espero que este tempo não tenha sido em vão, que tenha sido um tempo de reflexão e que nos tenha ajudado a concluir que a nossa vida não faz sentido sem Arte.

Ivone Ramos nasceu em Mortágua em 1972.  Licenciada em Design de Equipamento pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, frequentou, ainda, o Curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes. Atualmente reside e trabalha em Viseu, onde é professora de Artes Visuais. A pintura é uma atividade que desenvolve paralelamente com a função docente.

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