ARTIGO DE OPINIÃO: Caçoilinhos do Vouga – Um doce petisco em risco

13/06/2022 19:30

Uma das funções primordiais das Confrarias Gastronômicas é a preservação (depois da inventariação) do receituário original, confirmando a sua genuinidade e pureza, na medida em que o contexto social e cultural o permitam.

Este doce tão curioso, uma verdadeira tentação doce, que poderemos descrever como um Pastel de massa fina com recheio de amêndoa e gemas, integra-se no conjunto de um receituário proveniente em grande parte das antigas receitas conventuais, e que terá entrado nas cozinhas de algumas famílias com ligações familiares ou de benemerência a alguns conventos da região. 

Os caçoilinhos apresentam-se em formato redondo, com as bordas da massa trabalhadas irregularmente em formato de pétalas e rondam os 7cm de diâmetro e os 3cm de altura. O recheio possui uma cor viva e amarela, e preenche ¾ da forma. Possui uma consistência rica e queijosa, sendo macia mas misturada com o travo e a textura das amêndoas finamente picadas.

Trata-se da receita original, muito antiga, derivada da doçaria conventual. Na produção dos Caçoilinhos são utilizados ingredientes de elevada qualidade e riqueza nutricional, como as gemas e a amêndoa. Tradicionalmente, coziam-se em forno de lenha.

Encontram-se delimitados à área geográfica dos Concelhos da região de Lafões, em particular no concelho de Pedro do Sul.

Modo de preparação:

Recheio: 400gr açúcar branco,12 gemas de ovos, 150gr de amêndoa pelada e moída, casca de 1 limão, ½ l de água.

Ferver a água com o açúcar e o limão até atingir um ponto leve. Adicionar a amêndoa ralada e deixar levantar breve fervura. Desligar o fogão e reservar a mistura até arrefecer completamente. Juntar 12 gemas previamente batidas. 

Massa: 150gr farinha, 1 colher de sopa de manteiga e água morna. Amassam-se muito bem todos os ingredientes. Quando a massa estiver ligada, deve ser batida e amassada sobre uma superfície enfarinhada. A massa deve ser deixada a descansar cerca de 30 minutos, após os quais se estica com um rolo, sobre uma superfície polvilhada com farinha, até que fique muito fina. Corta-se a massa em círculos, com a ajuda de uma caneca ou tigela, e colocam-se a descansa novamente sobre um pano seco. A massa deve ficar a secar até endurecer ligeiramente. Forramse as formas de metal (com 6 cm de diâmetro, aproximadamente) com manteiga e colocam-se os círculos de massa nas formas, deixando-a ligeiramente de fora e dando às bordas um formato tosco, semelhante a “pétalas de flôr”.

Existe alguma preocupação em relação à continuidade da produção deste doce tão peculiar, pois devido a alguma dificuldade na sua produção, e ao custo das matérias-primas, vem sendo cada vez menos produzido e distribuído na região. As entidades municipais e de turismo deveriam olhar com maior atenção para estas singularidades da nossa cultura e património gastronômicos, para que não se percam estes produtos identificadores da região, estimulando e promovendo a sua produção e comercialização.

Créditos: Carta Gastronómica da Região de Lafões, Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões, edição 2016. Reportagem com a Senhora Glória Ribeiro, Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões, em http://regiaodelafoes.pt/cartagastronomica.htm

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