ARTIGO DE OPINIÃO: A subjetividade da arte

02/09/2021 19:30

A estética, tal como a arte, faz parte da vida de todos nós. Está presente nas coisas mais insignificantes do nosso dia-a-dia, nas nossas escolhas, com ligação direta ao nosso gosto e à nossa perceção, e completamente ligada à forma como vemos o mundo. Tudo o que nos rodeia fornece-nos informações e estímulos que associamos a sentimentos: gostamos, não gostamos, amamos, odiamos, por vezes é-nos indiferente… Tudo são experiências que nos fazem crescer. Se não desenvolvemos sentimentos corremos o risco de nos tornarmos seres amorfos e constantemente insatisfeitos.

Ao percorrermos um corredor de um museu somos invadidos por esses sentimentos. Normalmente temos tendência a gostar do que compreendemos e temos dúvidas em relação ao que não entendemos. Facilmente apreendemos e interpretamos as representações figurativas. Mas, por outro lado, a dificuldade de dar um sentido ao que é abstrato é uma realidade, e o que acontece é que muitas vezes desistimos de o compreender. 

Como é do senso comum, o gosto não se impõe e o meu objetivo não é impor o gosto que tenho pela arte abstrata. Apenas peço uma reflexão nas suas diferentes dimensões. Uma obra de arte tem sempre início na intenção e sentimento do artista, estando também relacionada com o contexto e circunstâncias da sua vida. Sou de opinião de que, se conseguirmos inteirarmo-nos e compreendermos o processo criativo mais facilmente conseguiremos entender o que observamos, no entanto não devemos esquecer que este processo deve terminar sempre na subjetividade da nossa interpretação.

Sem título (Primeira Aquarela Abstrata), Wassily Kandinsky, 1910.
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